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O programa urbano de Antananarivo (Tana) em Madagascar iniciou
em 93 com uma ação de acompanhamento duma centena
de famílias entre as mais carentes, com o modelo das
ações de acompanhamento familiar iniciadas no
Brasil por ESSOR e o GACC (ver fichas URBANO 1.1.1 a 5, para
histórica e a descrição detalhada da técnica
elaborada em Tana).
Esse acompanhamento tem como objetivo de permitir as famílias
carentes dos bairros de intervenção de melhorar
suas condições de vida incitando-as a tomar iniciativas
concretas tais que as vacinações e (pré)
escolarização das crianças, acompanhamento
pré e post natal, constituição duma poupança,
acesso a um empréstimo produtivo ou formação
profissional.
Através dessas ações concretas, o acompanhamento
familiar visa a remobilizar as famílias para que elas
possam implicar-se num passo de mudança.
Esse trabalho de acompanhamento é baseado sobre visitas
domiciliares regulares, permitindo de criar uma relação
de confiança personalizada entre a família e a
agente de acompanhamento familiar. Essa, não deve substituir-se
a família, mas propor soluções possíveis,
apoia-la, de maneira que a família se remobiliza e resolva
ela mesmo seus problemas.
De abril 98 a abril 99, 1 074 famílias foram acompanhadas,
nos bairros d'Isotry e Tsamarasay, entre as quais notamos 797
saídas cujo 373 saídas positivas (objetivos atingidos),
214 saídas negativas, 158 mudanças e 52 "não
classificadas" (famílias que saíram depois
dum período muito curto para poder classifica-las em
+ ou em -). Após, a "coorte" das famílias
foi quase integralmente revelada. Em outubro 99, 769 famílias
foram acompanhadas cujo 532 ha menos de um ano e 237 ha mais
de um ano.
Apesar dos resultados inegáveis, os efeitos perversos
foram constatados, provocados numa parte por certos abatimentos
que desviam o programa do seu objetivo principal de remobilizaçao
das famílias.
Por isso, certas famílias ou certos serviços
públicos da zona têm a impressão que o programa
assume famílias enquanto o objetivo é acompanha-las
na resolução de seus principais problemas : a
relação de confiança que se estabelece
com a animadora pode tornar-se em uma relação
de dependência, incitando a família á passividade,
é precisamente o contrario do efeito procurado ...Paralelamente,
a animadora apega-se também da família e mostra
má cara a sai-la do programa, com o sentimento de "abandona-la",
ou para o "conforto" que procura uma situação
conhecida e rotineira. Ou simplesmente, a animadora esperava
que todos os objetivos sejam atingidos pela família antes
de tomar a decisão da saída.
O prazo do acompanhamento é portanto aumentado (já
atingiu dois anos 1/2 , ver mais, para certas famílias
sem por exemplo que elas continuam a evoluir), limitando portanto
o numero de pessoas acompanhadas num mesmo período. As
animadoras entram também numa espécie de rotina,
a repetir as mesmas mensagens as mesmas famílias que
"estagnam" diminuindo também sua motivação
e seu próprio dinamismo.
Frente a essa situação, Emmanuelle Six, que supervisa
o programa desde 95, e sua equipe diversificaram as técnicas
de intervenção : reuniões temáticas
também atividades especificas (clubes de mães,
grupos de homens, oficinas de dança rap para os 7 - 13
anos, sessões de PMI) e permanências sociais abertas
ao seio dos bairros vêm completar o acompanhamento domiciliar.
Em principio, o prazo do acompanhamento é limitado a
um ano (ele pode ser estendido para as famílias em grande
dificuldade, ou no caso de mulheres gestantes para assegurar
um acompanhamento pré e post natal completo).
Famílias um pouco menos carentes foram integradas ao
programa, que atualmente compreende três tipos de famílias
: um grupo de famílias muito carente que cumulam os problemas
("grupos 3", 35% aproximadamente das famílias
acompanhadas), um grupo de famílias intermediario, tendo
vários problemas mas menos "passivos" que as
famílias precedentes ("grupo 2" ~ 50%) e um
grupo de famílias em dificuldade mas mais dinâmicas
("grupos 1 ~15% ; para esse grupo de famílias, o
prazo do acompanhamento vai de 6 meses a um ano).
As famílias que saiam do programa podem voltar a permanência
social se elas o desejam para receber conselhos, referências
ou um apoio pontual. É claro que as permanências
estão abertas aos outros habitantes do bairro.
Paralelamente, Emmanuelle decidiu de testar uma nova técnica
de acompanhamento familiar mais dinâmica, num outro bairro
de Tana. Esse acompanhamento dinamizado é uma continuação
lógica da ação realizada desde 95.
| 2. As
caraterísticas principais desse acompanhamento dinâmico
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As caraterísticas principais desse acompanhamento dinâmico
são
- um passo voluntário da parte das famílias
: depois dum primeiro contato durante a pesquisa inicial ao
domicilio, as famílias decidem de visitar uma "permanência
social" local de acolhimento implantado ao seio dos bairros,
se elas desejam receber conselhos, referências, ou um
acompanhamento mais conseqüente (acompanhamento a domicilio)
;
- um prazo de acompanhamento sistematicamente limitado, especificando-o
bem a família desde no inicio : o período de
acompanhamento é limitado a 4 mês no teste piloto,
com uma extensão de 2 meses, que será decidido
caso por caso, depois da avaliação dos resultados
adquiridos em 4 meses para cada família ;
- è uma saída sistemática da família
no final desse período de acompanhamento (4 ou 4+2
meses), sabendo que a família poderá sempre
voltar a permanência social para um conselho, uma referência,
um apoio pontual.
Portanto, a permanência social é ao mesmo tempo
um meio para selecionar as famílias "dinâmicas"
e depois para assegurar um acompanhamento mais leve "post
saída". (Nas zonas de Tsamarasay e Isotry, as permanências
sociais - ainda - não têm a mesma função
de seleção).

O teste piloto iniciou a pequena escada em 3 pequenas divisões
administrativas agrupando aproximadamente 16 000 habitantes,
no bairro de Anatiazo.
Duas acompanhadoras e uma agente de desenvolvimento social
da equipe AF de Tsamarasay - Isotry têm a responsabilidade
desse projeto piloto. Varias reuniões de trabalho permitiram
de forma-las nessa nova aproximação dinâmica
(formações de acolhimento e a entrevista à
permanência social tinham sida realizadas inicialmente
no quadro do programa AF "clássico").
37 famílias foram pesquisadas a partir do 20 de julho,
com a mesma grelha de pesquisa (ver ficha URBANA 1.1.4 Exemplos
de fichas de acompanhamento das famílias) e o mesmo
critério de seleçao (aparência da moradia)
que no programa AF de Tsamarasay e Isotry. Conforme os critérios
do AF "clássico", 35 dessas famílias
tinham sido classificadas AF (grupos 2 e 3).
A pesquisa permite de ter uma boa visão do bairro no
seu conjunto, de avaliar o grau de pobreza, e o numero de famílias
que poderiam ser atingidas pela ação.
Ao nível das famílias, é o momento do
primeiro encontro. A animadora apresenta os programas IA e o
acompanhamento familiar globalmente, e depois passa a pesquisa
para enfim poder discutir com a família da colaboração
eventual, do apoio que podemos oferecer em certos domínios
(dando exemplos claros : falar do certidão de nascimento,
pois soubemos durante a pesquisa que umas das crianças
não tinha esse documento...), da técnica de trabalho.
Enfim, a pesquisadora (acompanhadora ou agente de desenvolvimento
social) propõe um segundo encontro na permanência
social depois dum tempo de reflexão da parte da família,
transmitindo-lhe uma carta com o endereço e os horários
da permanência social.
Esse primeiro encontro ao domicilio revela-se muito importante,
pois ele deve dar vontade as famílias de colaborar, deve
suscitar sua reflexão e já fazer entrever soluções
possíveis a certos de seus problemas.
De fato, desde o inicio a família deve posicionar-se
num comportamento dinâmico, pois é ela que decide
de endereçar-se a permanência no momento que lhe
convêm, e que escolhe em qual domínio ela deseja
receber um apoio. (Se a família não foi a permanência
nas 3 semanas que seguem a pesquisa inicial, uma agente faz
uma primeira visita de relança, depois uma ultima visita
15 dias mais tarde).

No final de outubro, sobre as 37 famílias pesquisadas,
22 tinham contatado a permanência social (implantada ao
seio do bairro ; os horários de funcionamento são
fixados em função das disponibilidades dos habitantes
do bairro).
31 entrevistas foram realizadas e 24 visitas domiciliares em
dois meses. A entrevista dura meio hora a ¾ horas. As
entrevistas são realizadas pelas acompanhadoras ou pelas
agentes de desenvolvimento social.
Durante a primeira entrevista a permanência, informamos
as famílias que o acompanhamento proposto não
ultrapassa 4 meses, anuncio que parece ter um impacto também
dinamizador.
Durante a primeira visita a permanência social, (o) ou
(os) objetivos prioritários são selecionados pelas
famílias (e não pela acompanhadora, como isso
é geralmente feito no programa AF "clássico")
: o esforço de expressão, e de analise, que a
família faz, para explicar de maneira clara e detalhada
seu(s) problema(s), é muito mais forte que no AF clássico
onde sobretudo a animadora que fala e que, dirigindo a discussão,
defini os objetivos prioritários (o que pode justificar-se
no inicio do acompanhamento, pois a dificuldade que as famílias
têm a identificar elas mesmo seus problemas e os objetivos
que elas desejam fixar-se).
Se elas não são dirigistes, as entrevistas na
permanência são no entanto dirigidas : trata-se
de apoiar a pessoa a exprimir suas necessidades, e a refletir
aos objetivos que ela deseja atingir (é quase sempre
durante essa primeira entrevista que a familia opta para tal
ou tal objetivo). A animadora vai também tentar falar
de outros objetivos : por exemplo, com uma mãe que chega
para um problema de saúde para um dos seus filhos, a
animadora evocara num segundo tempo o planejamento familiar
para ver como a mãe reagi, mas sem bloquea-la se ela
sente que a mãe não esta pronto para isso.
O ritmo e a freqüência das visitas a permanência
não são fixas. As pessoas vêm quando elas
o desejam.
Nos dois primeiros meses, 51 entrevistas foram realizadas com
22 famílias que foram a permanência social. Os
assuntos eram os seguintes :
- 11 entrevistas sobre a saúde (por exemplo, uma mulher
vem pedir informações sobre os métodos
de planejamento familiar, faz perguntas sobre os rumores que
ela ouviu, pede onde ela pode ir consultar, quanto isso vai
custar...)
- 10 entrevistas sobre a obtenção de documentos
administrativos (geralmente, trata-se sobretudo de problemas
tais que como fazer estabelecer um certidão de nascimento,
qual organismo contatar, etc.)
- 8 entrevistas sobre a formação profissional
(certas mulheres vieram pedir informações sobre
o programa IA de formação profissional. Se uma
pessoa faz parte dos critérios de seleção
do programa , orientamos essa pessoa na próxima reunião
de informação que será realizada no seu
bairro, ou diretamente no setor Formação, transmitindo-lhe
uma carta que informara a equipe do programa de Formação
que essa pessoa esta referida pelo programa AF)
- 8 entrevistas sobre o pré escolar
- 6 entrevistas falaram da constituição duma
poupança : 2 pessoas iniciar uma poupança (cujo
uma nos 3 dias seguindo sua visitas a permanência social
- em dois meses, essa pessoa atingiu 3 dos 3 objetivos que
ela se tinha fixado)
- 5 entrevistas sobre a escolaridade
- 2 sobre os empréstimos
- 1 sobre a moradia.
Não houve pedidos saindo do quadro de intervenção
do projeto, pois desde a entrevista da pesquisa inicial, explicamos
a família os domínios dentro dos quais o programa
pode transmitir um apoio.

| 5.
As visitas domiciliares |
Até agora, decidimos realizar visitas domiciliares em
cada família - o objetivo neste teste piloto não
sendo de suprimir as visitas domiciliares mas bem de dinamizar
o acompanhamento. Doutra parte, somente as visitas domiciliares
permitem de conhecer o contexto familiar, de encontrar as crianças,
o chefe de família...O acompanhamento ao domicilio permite
também alternar os meios de encontro com uma família.
Portanto, ele não é reservado a certos objetivos.
Até agora, o ritmo do acompanhamento é modulavel
e realiza-se em função dos pedidos.
Nas 22 famílias acompanhadas ha dois meses (setembro
e outubro), 11 têm atualmente objetivos, 8 ainda não
possuem claramente objetivos definidos, 1 família atingiu
os 3 objetivos que ela se tinha fixado (a seguir, ela formulou
um novo objetivo de planejamento familiar);

Atualmente, o programa utiliza um documento que permite avaliar
todos os trimestres entre o "tempo 0" (pesquisa inicial)
e o temo t (4 meses mais tarde no caso do programa piloto) e
de visualizar quais objetivos foram atingidos para cada família.
Varias situações são possíveis
para decidir da saída da família, ou da prolongação
do acompanhamento :
- não existe mais objetivos a atingir. A família
sai do programa que fica a sua disposição através
da permanência social.
- A colaboração com a família não
foi satisfatória, o acompanhamento termina-se mas a permanência
social fica a sua disposição.
- A colaboração revela-se satisfatória,
mas certos objetivos ficam a atingir, decidimos de prolongar
o acompanhamento mais dois meses.
Para esse aumento de dois meses, veremos em função
da experiência se for necessário prosseguir as
visitas domiciliares ou se o acompanhamento se fará unicamente
na permanência.
O estudo dos primeiros resultados a 4 meses será realizado
no inicio de dezembro ; o estudo dos resultados a 6 meses, para
as famílias cujo acompanhamento foi prolongado de dois
meses, será realizado no inicio de fevereiro.
Teremos então mais informações e mais recuo
para avaliar os resultados quantitativos e qualitativos desse
teste piloto...

* Responsável do programa Inter
Aide de acompanhamento das famílias em Antananarivo desde
95.
Voces
podem nos dar vossas idéias e sugestões à
travês do e-mail
ou el forum.
Obligado !
sumàrio
saude-social

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