PRATIQUES - URBANO-1.1.6. "AFD"

O acompanhamento familiar dinâmico (AFD)

A experiência do programa em Antananarivo

Emmanuelle Six *
Novembro 99
Tradução ESSOR

1. Lembrete...
2. As caraterísticas principais desse acompanhamento dinâmico
3. A pesquisa
4. A permanência social
5. As visitas domiciliares
6. A saída das famílias
sumàrio saude-social

Avertissement : cette fiche a été écrite en 1999. Depuis, la méthode continue d'évoluer. Cette fiche constitu donc une part des archives du programme AF de Tana.

AVISO IMPORTANTE

As fichas e histórias de experiências "Pratiques" são difundidas no quadro da rede de trocas de idéias e de métodos entre as ONG signatárias da "Charte Inter Aide".
É importante lembrar que essas fichas não são normativas e não pretendem em nenhum caso "dizer o que temos que fazer" ; elas se contentam de apresentar experiências que conseguiram resultados interessantes num contexto onde elas foram encaminhadas.
Os autores de "Pratiques" não vêem nenhum inconveniente, pelo contrário, se essas fichas sejam reproduzidas na condição expressa que as informações que elas contêm sejam transmitidas integralmente, também este aviso.

 

1. Lembrete...

O programa urbano de Antananarivo (Tana) em Madagascar iniciou em 93 com uma ação de acompanhamento duma centena de famílias entre as mais carentes, com o modelo das ações de acompanhamento familiar iniciadas no Brasil por ESSOR e o GACC (ver fichas URBANO 1.1.1 a 5, para histórica e a descrição detalhada da técnica elaborada em Tana).

Esse acompanhamento tem como objetivo de permitir as famílias carentes dos bairros de intervenção de melhorar suas condições de vida incitando-as a tomar iniciativas concretas tais que as vacinações e (pré) escolarização das crianças, acompanhamento pré e post natal, constituição duma poupança, acesso a um empréstimo produtivo ou formação profissional.

Através dessas ações concretas, o acompanhamento familiar visa a remobilizar as famílias para que elas possam implicar-se num passo de mudança.

Esse trabalho de acompanhamento é baseado sobre visitas domiciliares regulares, permitindo de criar uma relação de confiança personalizada entre a família e a agente de acompanhamento familiar. Essa, não deve substituir-se a família, mas propor soluções possíveis, apoia-la, de maneira que a família se remobiliza e resolva ela mesmo seus problemas.

De abril 98 a abril 99, 1 074 famílias foram acompanhadas, nos bairros d'Isotry e Tsamarasay, entre as quais notamos 797 saídas cujo 373 saídas positivas (objetivos atingidos), 214 saídas negativas, 158 mudanças e 52 "não classificadas" (famílias que saíram depois dum período muito curto para poder classifica-las em + ou em -). Após, a "coorte" das famílias foi quase integralmente revelada. Em outubro 99, 769 famílias foram acompanhadas cujo 532 ha menos de um ano e 237 ha mais de um ano.


Apesar dos resultados inegáveis, os efeitos perversos foram constatados, provocados numa parte por certos abatimentos que desviam o programa do seu objetivo principal de remobilizaçao das famílias.

Por isso, certas famílias ou certos serviços públicos da zona têm a impressão que o programa assume famílias enquanto o objetivo é acompanha-las na resolução de seus principais problemas : a relação de confiança que se estabelece com a animadora pode tornar-se em uma relação de dependência, incitando a família á passividade, é precisamente o contrario do efeito procurado ...Paralelamente, a animadora apega-se também da família e mostra má cara a sai-la do programa, com o sentimento de "abandona-la", ou para o "conforto" que procura uma situação conhecida e rotineira. Ou simplesmente, a animadora esperava que todos os objetivos sejam atingidos pela família antes de tomar a decisão da saída.

O prazo do acompanhamento é portanto aumentado (já atingiu dois anos 1/2 , ver mais, para certas famílias sem por exemplo que elas continuam a evoluir), limitando portanto o numero de pessoas acompanhadas num mesmo período. As animadoras entram também numa espécie de rotina, a repetir as mesmas mensagens as mesmas famílias que "estagnam" diminuindo também sua motivação e seu próprio dinamismo.

Frente a essa situação, Emmanuelle Six, que supervisa o programa desde 95, e sua equipe diversificaram as técnicas de intervenção : reuniões temáticas também atividades especificas (clubes de mães, grupos de homens, oficinas de dança rap para os 7 - 13 anos, sessões de PMI) e permanências sociais abertas ao seio dos bairros vêm completar o acompanhamento domiciliar. Em principio, o prazo do acompanhamento é limitado a um ano (ele pode ser estendido para as famílias em grande dificuldade, ou no caso de mulheres gestantes para assegurar um acompanhamento pré e post natal completo).

Famílias um pouco menos carentes foram integradas ao programa, que atualmente compreende três tipos de famílias : um grupo de famílias muito carente que cumulam os problemas ("grupos 3", 35% aproximadamente das famílias acompanhadas), um grupo de famílias intermediario, tendo vários problemas mas menos "passivos" que as famílias precedentes ("grupo 2" ~ 50%) e um grupo de famílias em dificuldade mas mais dinâmicas ("grupos 1 ~15% ; para esse grupo de famílias, o prazo do acompanhamento vai de 6 meses a um ano).
As famílias que saiam do programa podem voltar a permanência social se elas o desejam para receber conselhos, referências ou um apoio pontual. É claro que as permanências estão abertas aos outros habitantes do bairro.

Paralelamente, Emmanuelle decidiu de testar uma nova técnica de acompanhamento familiar mais dinâmica, num outro bairro de Tana. Esse acompanhamento dinamizado é uma continuação lógica da ação realizada desde 95.

2. As caraterísticas principais desse acompanhamento dinâmico

As caraterísticas principais desse acompanhamento dinâmico são

  • um passo voluntário da parte das famílias : depois dum primeiro contato durante a pesquisa inicial ao domicilio, as famílias decidem de visitar uma "permanência social" local de acolhimento implantado ao seio dos bairros, se elas desejam receber conselhos, referências, ou um acompanhamento mais conseqüente (acompanhamento a domicilio) ;
  • um prazo de acompanhamento sistematicamente limitado, especificando-o bem a família desde no inicio : o período de acompanhamento é limitado a 4 mês no teste piloto, com uma extensão de 2 meses, que será decidido caso por caso, depois da avaliação dos resultados adquiridos em 4 meses para cada família ;
  • è uma saída sistemática da família no final desse período de acompanhamento (4 ou 4+2 meses), sabendo que a família poderá sempre voltar a permanência social para um conselho, uma referência, um apoio pontual.

Portanto, a permanência social é ao mesmo tempo um meio para selecionar as famílias "dinâmicas" e depois para assegurar um acompanhamento mais leve "post saída". (Nas zonas de Tsamarasay e Isotry, as permanências sociais - ainda - não têm a mesma função de seleção).

3. A pesquisa

 

O teste piloto iniciou a pequena escada em 3 pequenas divisões administrativas agrupando aproximadamente 16 000 habitantes, no bairro de Anatiazo.

Duas acompanhadoras e uma agente de desenvolvimento social da equipe AF de Tsamarasay - Isotry têm a responsabilidade desse projeto piloto. Varias reuniões de trabalho permitiram de forma-las nessa nova aproximação dinâmica (formações de acolhimento e a entrevista à permanência social tinham sida realizadas inicialmente no quadro do programa AF "clássico").

37 famílias foram pesquisadas a partir do 20 de julho, com a mesma grelha de pesquisa (ver ficha URBANA 1.1.4 Exemplos de fichas de acompanhamento das famílias) e o mesmo critério de seleçao (aparência da moradia) que no programa AF de Tsamarasay e Isotry. Conforme os critérios do AF "clássico", 35 dessas famílias tinham sido classificadas AF (grupos 2 e 3).

A pesquisa permite de ter uma boa visão do bairro no seu conjunto, de avaliar o grau de pobreza, e o numero de famílias que poderiam ser atingidas pela ação.

Ao nível das famílias, é o momento do primeiro encontro. A animadora apresenta os programas IA e o acompanhamento familiar globalmente, e depois passa a pesquisa para enfim poder discutir com a família da colaboração eventual, do apoio que podemos oferecer em certos domínios (dando exemplos claros : falar do certidão de nascimento, pois soubemos durante a pesquisa que umas das crianças não tinha esse documento...), da técnica de trabalho.
Enfim, a pesquisadora (acompanhadora ou agente de desenvolvimento social) propõe um segundo encontro na permanência social depois dum tempo de reflexão da parte da família, transmitindo-lhe uma carta com o endereço e os horários da permanência social.

Esse primeiro encontro ao domicilio revela-se muito importante, pois ele deve dar vontade as famílias de colaborar, deve suscitar sua reflexão e já fazer entrever soluções possíveis a certos de seus problemas.

De fato, desde o inicio a família deve posicionar-se num comportamento dinâmico, pois é ela que decide de endereçar-se a permanência no momento que lhe convêm, e que escolhe em qual domínio ela deseja receber um apoio. (Se a família não foi a permanência nas 3 semanas que seguem a pesquisa inicial, uma agente faz uma primeira visita de relança, depois uma ultima visita 15 dias mais tarde).

4. A permanência social


No final de outubro, sobre as 37 famílias pesquisadas, 22 tinham contatado a permanência social (implantada ao seio do bairro ; os horários de funcionamento são fixados em função das disponibilidades dos habitantes do bairro).
31 entrevistas foram realizadas e 24 visitas domiciliares em dois meses. A entrevista dura meio hora a ¾ horas. As entrevistas são realizadas pelas acompanhadoras ou pelas agentes de desenvolvimento social.

Durante a primeira entrevista a permanência, informamos as famílias que o acompanhamento proposto não ultrapassa 4 meses, anuncio que parece ter um impacto também dinamizador.

Durante a primeira visita a permanência social, (o) ou (os) objetivos prioritários são selecionados pelas famílias (e não pela acompanhadora, como isso é geralmente feito no programa AF "clássico") : o esforço de expressão, e de analise, que a família faz, para explicar de maneira clara e detalhada seu(s) problema(s), é muito mais forte que no AF clássico onde sobretudo a animadora que fala e que, dirigindo a discussão, defini os objetivos prioritários (o que pode justificar-se no inicio do acompanhamento, pois a dificuldade que as famílias têm a identificar elas mesmo seus problemas e os objetivos que elas desejam fixar-se).

Se elas não são dirigistes, as entrevistas na permanência são no entanto dirigidas : trata-se de apoiar a pessoa a exprimir suas necessidades, e a refletir aos objetivos que ela deseja atingir (é quase sempre durante essa primeira entrevista que a familia opta para tal ou tal objetivo). A animadora vai também tentar falar de outros objetivos : por exemplo, com uma mãe que chega para um problema de saúde para um dos seus filhos, a animadora evocara num segundo tempo o planejamento familiar para ver como a mãe reagi, mas sem bloquea-la se ela sente que a mãe não esta pronto para isso.

O ritmo e a freqüência das visitas a permanência não são fixas. As pessoas vêm quando elas o desejam.

Nos dois primeiros meses, 51 entrevistas foram realizadas com 22 famílias que foram a permanência social. Os assuntos eram os seguintes :

  • 11 entrevistas sobre a saúde (por exemplo, uma mulher vem pedir informações sobre os métodos de planejamento familiar, faz perguntas sobre os rumores que ela ouviu, pede onde ela pode ir consultar, quanto isso vai custar...)
  • 10 entrevistas sobre a obtenção de documentos administrativos (geralmente, trata-se sobretudo de problemas tais que como fazer estabelecer um certidão de nascimento, qual organismo contatar, etc.)
  • 8 entrevistas sobre a formação profissional (certas mulheres vieram pedir informações sobre o programa IA de formação profissional. Se uma pessoa faz parte dos critérios de seleção do programa , orientamos essa pessoa na próxima reunião de informação que será realizada no seu bairro, ou diretamente no setor Formação, transmitindo-lhe uma carta que informara a equipe do programa de Formação que essa pessoa esta referida pelo programa AF)
  • 8 entrevistas sobre o pré escolar
  • 6 entrevistas falaram da constituição duma poupança : 2 pessoas iniciar uma poupança (cujo uma nos 3 dias seguindo sua visitas a permanência social - em dois meses, essa pessoa atingiu 3 dos 3 objetivos que ela se tinha fixado)
  • 5 entrevistas sobre a escolaridade
  • 2 sobre os empréstimos
  • 1 sobre a moradia.

Não houve pedidos saindo do quadro de intervenção do projeto, pois desde a entrevista da pesquisa inicial, explicamos a família os domínios dentro dos quais o programa pode transmitir um apoio.

5. As visitas domiciliares


Até agora, decidimos realizar visitas domiciliares em cada família - o objetivo neste teste piloto não sendo de suprimir as visitas domiciliares mas bem de dinamizar o acompanhamento. Doutra parte, somente as visitas domiciliares permitem de conhecer o contexto familiar, de encontrar as crianças, o chefe de família...O acompanhamento ao domicilio permite também alternar os meios de encontro com uma família. Portanto, ele não é reservado a certos objetivos. Até agora, o ritmo do acompanhamento é modulavel e realiza-se em função dos pedidos.

Nas 22 famílias acompanhadas ha dois meses (setembro e outubro), 11 têm atualmente objetivos, 8 ainda não possuem claramente objetivos definidos, 1 família atingiu os 3 objetivos que ela se tinha fixado (a seguir, ela formulou um novo objetivo de planejamento familiar);

 

6. A saída das famílias

Atualmente, o programa utiliza um documento que permite avaliar todos os trimestres entre o "tempo 0" (pesquisa inicial) e o temo t (4 meses mais tarde no caso do programa piloto) e de visualizar quais objetivos foram atingidos para cada família.

Varias situações são possíveis para decidir da saída da família, ou da prolongação do acompanhamento :

- não existe mais objetivos a atingir. A família sai do programa que fica a sua disposição através da permanência social.
- A colaboração com a família não foi satisfatória, o acompanhamento termina-se mas a permanência social fica a sua disposição.
- A colaboração revela-se satisfatória, mas certos objetivos ficam a atingir, decidimos de prolongar o acompanhamento mais dois meses.

Para esse aumento de dois meses, veremos em função da experiência se for necessário prosseguir as visitas domiciliares ou se o acompanhamento se fará unicamente na permanência.

O estudo dos primeiros resultados a 4 meses será realizado no inicio de dezembro ; o estudo dos resultados a 6 meses, para as famílias cujo acompanhamento foi prolongado de dois meses, será realizado no inicio de fevereiro.
Teremos então mais informações e mais recuo para avaliar os resultados quantitativos e qualitativos desse teste piloto...

* Responsável do programa Inter Aide de acompanhamento das famílias em Antananarivo desde 95.

Voces podem nos dar vossas idéias e sugestões à travês do e-mail ou el forum. Obligado !

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